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É BEM MELHOR APRENDER UMA OUTRA LÍNGUA QUANDO SE É CRIANÇA, NÉ?


Essa é uma das frases que mais escuto quando digo que estou criando o Lucas bilíngue, ou quando conto que dei aula para crianças durante muito tempo.


É senso comum pensar que aprender um outro idioma quando se é criança é mil maravilhas e que é muuuuuuuito melhor do que aprender depois de adulto.




Claro que é ótimo poder aprender uma outra língua quando se é ainda criança por diversos motivos, porém, engana-se quem pensa que o processo é só flores. Na verdade, temos que levar em conta muitos outros aspectos, como por exemplo as características do desenvolvimento físico, emocional e cognitivo das crianças. Quem tem filhos sabe o que é esse processo de desenvolvimento infantil e o turbilhão de coisas que acontecem com os pequenos.


Existem vantagens na abordagem do ensino para crianças, como por exemplo a ludicidade, a maleabilidade do cérebro (neuroplasticidade) e as questões fonológicas que propiciam que uma criança consiga produzir os sons das línguas que está ouvindo. Como o aparelho fonador está em formação quando somos criança, a criança vai aprender qualquer som que for apresentada.


No vídeo abaixo, Lucas estava com 1a5m falando palavras nas duas línguas.




O ser humano é capaz de reproduzir qualquer som de qualquer língua. Isso é algo óbvio, mas algo que às vezes não nos damos conta, pois afinal de contas, ainda não nascemos com chip da língua oficial do nosso país. Essa capacidade de reconhecer e “programar” o nosso aparelho fonador para qualquer língua, com o tempo deixa de acontecer já que alguns sons não são usados na nossa língua e com isso, deixam de ser importantes. Portanto, uma criança bilíngue tem mais chances de produzir bem (e nada de perfeito- ISSO É MITO) os sons de mais de uma língua.


Se falou muito sobre a HIPÓTESE de um período crítico, que depois de uma certa idade não seria possível ser um falante competente (ou atingir o nível de falante nativo- OUTRO BAITA MITO) e com isso tentou-se justificar a urgência de se aprender mais cedo.




Tem muitos mitos que precisam ser desconstruídos, e um deles é que depois de uma certa idade a gente não consegue mais se tornar bilíngue. Tudo isso sem falar em algo muito, mas muito importante. Quem é que ensina essas crianças?


Temos um problema sério de formação nessa área. Os cursos de Pedagogia não formam professores que ensinam línguas adicionais e os cursos de Letras não formam professores capacitados para trabalhar com crianças menores de 12 anos. Ou seja, tem um gap bem grande nesse mercado e tem gente dando aula sem saber a língua, ou até pior, sem gostar de crianças ou entender como as crianças se desenvolvem. Por outro lado, tem professores buscando workshop e cursos em áreas afins para poder dar conta desses buracos em suas formações. Eu, por exemplo, depois de Letras fiz uma especialização em Educação Infantil.


Dar aula para crianças que não leem, escrevem ou sabem falar sobre a língua (entender gramática/metalinguagem) exige muito e não é fácil. Ensinar palavrinhas soltas é praticamente dar aula de Português com algumas palavras em Inglês, sem contexto e sem propósito.





Só porque a profe é menina e meiga não significa que é alguém competente para ensinar uma língua para crianças. A minha primeira experiência dando aula para criança foi com19 anos e sem preparo algum. Eu era uma da profes mais nova e sem experiência da escola. Deu tudo certo, hehehe, mas o começo foi muito difícil.



Minha aluninha amada. Fez aula particular comigo dos 5 aos 18 anos. Muito do que sei, aprendi na prática com ela.


Quando a criança tem aula com professores despreparados e desassistidos, o risco de dar errado é muito grande. Com isso, ouvimos relatos de traumas, de aulas ruins e de crianças que simplesmente não gostam de inglês.


E aí, será que valeu a pena começar cedo?



olha o cabelo arrepiado do Lucas nenêm ;)

Não, né?


Dá sim para começar cedo e ser fantástico. Aulas bem pensadas e professores capacitados fazem toda a diferença no mundo e daí aprender enquanto criança é muito melhor. Dá para ser lúdico e contextualizado, dá para ensinar sobre o mundo usando a língua, dá para trabalhar com projetos e pensar ciências, matemática e geografia em inglês, por exemplo.


No caso, estou falando de aulas EM inglês e não DE inglês, e isso faz muuuuita diferença.


Então, se você quer matricular sua criança em uma escola de idiomas, ou na atividade de inglês que a maternal/escola oferece, busque saber a formação e a experiência da professora. Se o seu/sua filho/a começar a reclamar das aulas, resistir a qualquer estímulo na língua, abra o olho. É melhor esperar um pouco mais e garantir que o seu pequeno não desenvolva uma aversão pela língua. Se tiver que esperar alguns anos para começar novamente, sem stress.


É melhor começar depois e começar bem do que começar cedo e traumatizar.


Eu sou super a favor de começar quando criança, mas sempre com um olhar cuidadoso para as propostas.



Kisses,

Aline Jaeger

@maebilingue


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